Cultura, Tecnologia e Juventude – A Baixada se revoluciona por si só
A defesa do que é justo tem criado injustiças grandes: parece brincadeira, mas vivemos uma roda de ódio que só acelera
Creio que a partir dos anos 2000, aqui no Brasil, diversas coisas passaram por grande mudanças. E a sua maioria veio a partir de um desenvolvimento tecnológico, que por sua vez causou o barateamento de dispositivos eletrônicos. Basta conferir a sua internet, ela não era do jeito que é hoje 15 anos atrás e seu celular não era desse jeito 5 anos atrás. Mas se prepare, seu smart phone vai mudar muito ainda nos próximos 5 anos. Estamos passando por uma grande revolução de tecnologia e de informação.
Junto com essa mudança da tecnologia, as periferias começaram a se apropriar dos dispositivos de criação e também de conteúdo. E a partir disso, criam novas estéticas. Um bom exemplo de toda essa transformação é o passinho, que é uma mistura frenética de frevo com break dance que surgiu nas favelas do Rio e também tem seus representantes na Baixada. A dança se difuindiu através de videos na internet e virou o que é hoje. Mas uma das coisas que é fruto também dessa revolução e que mais tenho visto destaque na produção local é o Hip Hop.
Hoje é bastante notória a influência que essa cultura está causando na juventude da Baixada Fluminense. Nossos artistas já estão sendo cotados em apresentações internacionais, como no caso do grupo de rap #ComboIO que ganhou o Take Back the Mic em Miami nesse último mês de maio. A cada dia surgem batalhas de Mcs nas ruas, praças e becos pelos municípios de Belford Roxo, Nilópolis, Nova Iguaçu, Mesquita e São João. Por falar em São João, é impossível falar de rap e de Baixada sem lembrar de Slow da BF, que foi membro do lendário Esquadrão ZN e o cara é quase que uma enciclopédia quando rima ou quando tá trocando uma ideia tranquila contigo num bar ou ponto de ônibus. Sem contar o MOF – Meeting of Favela, que é o maior evento de grafitti comunitário do mundo e esse ano chega a sua 10ª edição.
Mas vou parar de citar nomes, não é essa a situação que quero colocar. Mas tenho notado que para além de uma ideia de mercado que a produção contemporânea das periferias tem tomado, essas culturas são de extrema importância para posicionamento político. O que antes era visto apenas como baile, hoje é um movimento de fortíssimo e consciente de auto representação e de dizer “fazemos do nosso jeito e não é errado”. Isso é revolucionário e perceptível na quantidade de moças e rapazes que se vê nas ruas assumindo seus cabelos naturais.
Infelizmente, muito das relações que temos com o mundo hoje é visto de uma perspectiva econômica. Embora muitos investidores ainda não veem a Baixada para além de violência, cidades dormitórios e mão de obra, a Baixada tem muito potencial, para isso precisamos olhar para esquina com um olhar de valorização ao invés de depreciação. Se apropriar do que temos de positivo para podermos reverter o que temos de ruim. Tem muita coisa acontecendo na região, e um dos papeis do Site da Baixada é tentar tornar tudo isso visível para todos.
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