Nossas autoridades estão tão desesperadas diante de mais uma onda de doenças do verão, que chamaram até os FUZILEIROS pra ajudar no COMBATE ao Aedes Aegypti. Pareceria piada, não fosse a enxurrada de releases que chegaram nessa sexta informando as ações das prefeituras em parceria com o governo federal.

Oras, o Brasil é um país tropical. Inclusive abençoado por Deus – talvez essa seja a desculpa destes governantes humanos em não se prepararem para epidemias tropicais, típicas de países como o nosso, que mora na linha do Equador e nunca fica branquinho de neve na vista do satélite.

Na real, a coisa tá tão feia pro nosso lado que tem atleta gringo desde ano passado já alojado por aqui nas terras tupiniquins pra criar anticorpos – é sério. Inclusive, li essa semana que uma atleta está pensando seriamente em não vir para os fatídicos Jogos Olímpicos, com medo de pegar Zika. Ou Chikungunyia (Chicungunha, sei lá como se escreve). Ou, claro, a tradicional dengue que nunca nos larga – infelizmente.

Tá, mas o que me fez escrever hoje foi a ida ao médico, ou melhor, à médica. Uma senhorinha fofa de cabelo prateado, que com a naturalidade de quem diz as horas, me falou: “ah, essa coceira aí? É só zika. Vamos falar de outra coisa”. E agora? E se descobrirem uma Zika hemorrágica?

Pois é, querido leitor. Essa tal coceira nos braços e mal-estar, outrora chamada de virose, ganhou nome de gíria de paulista.

É zika, meu.

Conheci um cara que pegou Zika. Tava pálido. Suando. Tremendo. Diz ele que era zika, mas tenho pra mim que era alguma DST… Vai saber…

O que sei, diante disso tudo, é que definitivamente o nosso país – ou pelo menos a Baixada – não tem preparo pra lidar com doença tropical, mesmo quinhentos e poucos anos depois de os brancos chegarem aqui pra matar, roubar e destruir – além de disseminar doença transgênica bizarra.

Dá medo, né?

Em mim foi só uma coceira nos braços, que parecia essas ziqueziras que dão quando tá calor e a gente passa aquele desodorante malditamente fedorento. Mas tem gente morrendo.

Os casos de microcefalia – curiosamente só vi dando em filho de pobre – estão destruindo uma geração inteira. Ainda não conversei com a turma do Hospital da Posse (Nova Iguaçu) nem Hospital da Mulher (São João de Meriti). E só de pensar no de Saracuruna (Duque de Caxias), dá vontade de chorar. Não tenho a menor dúvida que na Baixada temos médicos apaixonados, que acreditam na cura, que dão tudo de si e querem ver esse povo saudável.

O que me preocupa, de verdade, é ver nosso país de calça arriada por causa de um mosquito.

Enquanto isso, no camelô, a raquete de matar inseto continua em alta.

Camelô é zica, meu.