As mazelas da Baixada Fluminense não deveriam ser motivos para piadas
O buraco na rua, a falta de médicos, a imprudência no trânsito… Nada disso deveria te fazer rir
A gente rala todo dia, o dia inteiro, contribuindo com projetos que melhoram a imagem da Baixada Fluminense. Na real, conheço gente de fora da Baixada que já olha pra cá de outra maneira. Existem pessoas na cidade do Rio de Janeiro que estão descobrindo a Baixada através da cultura e da arte. Grandes empresas começam a entender a potência da região e querem investir por aqui em cultura e arte. Lentamente estão descobrindo que para “entrar na Baixada” é muito mais barato e eficaz patrocinar uma ação cultural do que realizar uma ação publicitária.
Mas ainda há muito trabalho pela frente.
Os anos dos grupos de extermínio não foram suficientes para ensinar ao morador comum da Baixada Fluminense que precisamos virar a página. Apesar de a Baixada já ter sido o cenário de inúmeras chacinas, ter parado na capa da TIME pela violência, ser sinônimo de lugar abandonado e perigoso no imaginário nacional, ainda assim pouca gente tem feito algo pra mudar isso de figura.
Nosso sofrimento não tem graça.
Minha preocupação está nos veículos e nas páginas de Facebook com grande concentração de público, que ao invés de prestar um serviço útil à população, exaltam a violência, o policialesco e a miséria. São dezenas, senão centenas de páginas que publicam diariamente piadas com a dura realidade da região.
“Baixada é cruel”, já dizia aquele funk. E continuará sendo cruel se não fizermos nada. Cada vez que alguém replica uma mensagem fazendo graça com os problemas da Baixada, deixa um rastro de conivência com o abandono.
Nós, enquanto moradores da Baixada Fluminense, deveríamos ser os primeiros a cortar este assunto. Não deveríamos cooperar com a guerra de likes no Facebook, confundindo humor com escárnio.
Não acho maneiro fazer zombaria com a minha jurisdição!
Faço o convite a você que também ama a Baixada a não cooperar mais com o enaltecimento ao abandono. Eu moro num lugar bacana! Vivo uma Baixada Fluminense vibrante, um lugar criativo, uma região que não me deixa ficar em casa nos fins-de-semana porque sempre tem coisas legais pra fazer.
Eu acredito numa Baixada Fluminense melhor.
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