Mais um Dia da Mulher está chegando e com ele todos os micos possíveis que nós homens podemos pagar. É nesse mês que a rapazeada resolve dar flores pras moças “sem segundas intenções”. Resolve visitar a mãe. Resolve lavar a louça por um dia. Resolve, resolve, resolve… Vejo uma série de discursos vergonhosos acontecendo, onde os homens tomam as decisões e as mulheres continuam como coadjuvantes – mesmo no dia protagonizado por elas.
“Precisamos dar voz para as mulheres”, muitos homens dizem, esquecendo que elas têm voz. Nós é que não temos ouvido!
No início do ano a equipe do Site da Baixada cresceu. Quem resolveu comprar nosso barulho, veja só, foram as mulheres. Hoje elas são mais que o dobro dos homens no time. Por conta disso, tudo que você vai ler daqui em diante é resultado de um processo bastante natural, sem nenhuma forçação de barra ou tentativa de “fazer bonito”. Estamos apenas tentando fazer direito.
Os princípios editoriais do Site da Baixada impedem que o veículo tome partido em diversos assuntos. Respeitamos profundamente os leitores e estamos sempre “do lado da Baixada”. Não importa o tema, nossa pauta é sempre voltada para o impacto dele sobre a região e como ele afeta o cotidiano das pessoas.
Dedicar o mês de março para o empoderamento feminino não é assumir um lado ou levantar uma bandeira de uma minoria. Oras, para começo de conversa as mulheres são maioria. As mulheres convivem com questões que nós homens não temos absolutamente nenhum direito de opinar. Legislamos sobre seus corpos sem fazer ideia de como é a dor (e o prazer) de uma mulher. Não, rapaz, você não sabe o que é ponto G. Você não sabe o que é dar a luz. Você não sabe o que é o primeiro sutiã. Você não sabe o que é ser assediado diariamente. Você não sabe de nada, e ainda se faz de inocente. Posso dizer isso com toda a autoridade, afinal sou um homem hétero de 30 anos que cresceu numa sociedade machista e tem consciência que ainda falta muito pra gente se livrar da herança do patriarcado – uma sociedade onde a palavra do homem tem mais peso e ele quem toma as decisões, sob a sua ótica, sem levar em consideração as mulheres.
É por isso, por conta da falta de autoridade que este editor do SB que vos escreve tem para falar sobre mulheres, que foi tomada uma decisão bastante séria, em conjunto, da parte das mulheres que contribuem conosco. Criamos um Conselho Feminino para a construção de uma editoria intitulada “Mulher”. Este Conselho trabalhou durante todo o mês de fevereiro para buscar histórias inspiradoras. Elas decidiram juntas encontrar um mosaico de respostas para a pergunta “quem é a mulher da Baixada?”.
Com base neste tema serão contadas histórias inspiradoras de mulheres da Baixada Fluminense, escritas por outras mulheres, no nosso canal “Notícias”. Além disso, foram convidadas mulheres para escrever artigos no Opinião para responder à pergunta central de março. No Guia, vamos dar um destaque adicional aos eventos voltados para a reflexão sobre o Dia da Mulher. Partindo pro campo literário, haverão crônicas e poesias escritas por mulheres.
Em março os Blogs “Opinião”, “Poesia” e “Crônicas” estarão fechados para homens. Só mulher na parada.
O SB virou feminista? Não. Ele só tá fazendo sua parte pra deixar o machismo pra trás. Queremos muito que este mês deixe um legado e haja cada vez mais representatividade das mulheres no dia-a-dia dos leitores do SB. Este ano temos muitas pautas para discutir: Dia da Baixada, Olimpíadas, Eleições, Eu ♥ Baixada, Prêmio Baixada e vários grandes festivais, além de pautas relevantes em nível nacional que surgirão até 31 de dezembro. É fundamental que, de forma natural, tenhamos várias vozes para ouvirmos.
Continuaremos com nosso noticiário normalmente, com as pautas de cultura e as matérias analíticas saindo do forno. A diferença é que nos mexemos pra transformar o mês de março numa oportunidade para falar sobre o universo feminino com diversas abordagens diferentes.
Caberá a você, leitor, formar sua própria opinião. E, claro, encontrar respostas para a pergunta:
Quem é a mulher da Baixada?